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O filho de um ferroviário vai para o seu primeiro dia de aulas na escola. Depois de serem apresentados à professora, esta diz:
- Portanto, os meninos estão agora na 1ª classe!
O filho do ferroviário levanta-se muito indignado e diz:
- Primeira classe? Com bancos de pau?

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Cuidado com as massagens! - 20Jul2018 13:28:12

Algo me diz que devo ter pedido uma massagem Shitzu em vez de Shiatsu. Só isso explica porque é que não fui vigorosamente amarfanhado por umas mãos femininas, mas sim enrabado por um cão!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2014/10/cuidado-com-as-massagens/

YO! - 20Jul2018 13:28:12

Existe uma aplicação para smartphones chamada YO que, muito simplesmente, apenas nos deixa enviar um sonoro YO aos amigos ou à lista de contactos que segue o nosso perfil. Quando essa aplicação for localizada para Português, posso apenas imaginar que o carroceiro e alarve YO seja trocado por um hip-cool E então, bacano? Tá-se bem, ou quê?.

Cretinices à parte, a verdade é que a aplicação está a ser utilizada pelo serviço de alerta anti-mísseis israelita (notícia aqui), de modo a que os seguidores do dito perfil  chamado RedAlertIsrael  recebam o seu Tá-se bem! cada vez que o sistema detecta o disparo dum morteiro do lado Palestiniano.

A parte mais interessante é que qualquer um pode instalar essa aplicação, seguir esse perfil, e receber também esses alertas!
Eu já instalei a aplicação no meu iPhone, e já recebi três Tá-se bem só esta manhã!
A notificação sonora chega, o iPhone vibra juntamente com o YO, e eu divirto-me a imaginar as centenas de pessoas que naquele preciso momento se escondem por baixo das mesas de esplanadas em Telavive enquanto terminam à pressa a sua falafel ensopada em hummus.

Isto traz toda uma nova dimensão de apreciação e gratidão à relativa calma com que as nossas vidas são vividas. Aquela sensação de que, afinal, não vivemos tão no fio da navalha como pensávamos (a não ser, talvez, para aqueles que passam parte dos seus dias literalmente a afiar navalhas, como os amoladores, barbeiros e serial killers).

Futuras actualizações desta aplicação trarão possibilidades ainda mais interessantes. Como, por exemplo, um seguimento mais preciso do percurso do míssil em tempo real, de modo a que as pessoas em Albufeira não sintam necessidade de fugir da piscina só porque vai um morteiro a caminho da praia do Tamariz. Pronto, talvez não tenha sido um bom exemplo, este sistema seria essencialmente inútil para os frequentadores da dita praia, que já estão mais ou menos habituados a tudo. Mas a ideia permanece válida.

Outra actualização que se quer rapidamente é a possibilidade de criar pontos de interesse e remetê-los, através de algum mecanismo de feedback, para o lado bombista. No fundo, uma espécie de lista de sugestões à la Amazon, do género de 77% das pessoas que assistiram ao bombardeamento do Ministério das Finanças também acharam piada à ideia da redacção do Correio da Manhã ser bombardeada. E eis as coordenadas GPS!.

No fundo, as grandes inovações tecnológicas  salvo raras excepções  nunca são óbvias no momento em que surgem. Apenas demonstram a sua vitalidade através da utilização continuada.
E entre as possíveis personalizações para sistemas anti-míssil (YO! Vem aí bomba!), informações de última hora para adúlteros (YO! A esposa passou agora a rotunda das palmeiras!) ou mesmo para chefes de cozinha (YO! Pára de fotografar a merda da comida e tira o pato do forno!), a aplicação YO arrisca-se mesmo a ser uma dessas tecnologias que, daqui para uns anos, nos vai fazer pensar sobre como conseguimos viver tanto tempo sem ela.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2014/07/yo/

Grafitti cultural - 20Jul2018 13:28:12

Com esta mania moderna das Câmaras municipais patrocinarem grafitti nas paredes (numa óbvia lógica de se juntar a eles porque dava muito trabalho vencê-los), acho que se está a perder uma oportunidade de ouro para fundir a chamada arte urbana com formas culturais mais eruditas.
Quando é que será que vamos ler nas paredes inscrições como Noam Chomsky rulez e Kandinsky foreva!?



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2013/08/grafitti-cultural/

Informação à navegação - 20Jul2018 13:28:12

Vimos por este meio informar os leitores (no DQD e no Facebook) que andamos em testes para agilizar o sistema e integrar todas as redes duma forma que faça sentido no contexto actual. Um pouco à semelhança do que os sucessivos Governos deste país têm tentado fazer com a nossa Economia e finanças, sem grande sucesso.

Isto tudo para informar que, se virem umas mensagens erráticas (mais do que é costume) a aparecer de vez em quando, não se preocupem. Somos nós a trabalhar na retoma.

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Fonte: http://www.dizquedisse.com/2013/08/informacao-a-navegacao/

Ryan Air oferece porno nos seus voos! - 20Jul2018 13:28:12

O jornal Público trouxe a público a notícia de que a companhia aérea Ryan Air tenciona oferecer pornografia nos seus voos. (notícia aqui)
Para uma empresa que já é conhecida por praticar preços pornograficamente baixos, resta saber porque é que ainda não nos disseram quanto é que vão cobrar pelos pacotinhos de Kleenex e pelas idas à casa-de-banho.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/11/ryan-air-oferece-porno-nos-seus-voos/

Aperto do cinto - 20Jul2018 13:28:12

Por todo o lado, em todo o santo (e profano) noticiário, em toda a entrevista de televisão e rádio, em toda a coluna desinformada de opinião que aparece em todo o jornal e revista, só se fala duma coisa hoje em dia. O famoso aperto do cinto.

Neste momento, não estará a tornar-se óbvio que a solução para este problema é começar a usar um belo calção de lycra?
É só uma ideia.
Abaixo o aperto do cinto! Viva o calção de lycra!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/10/aperto-do-cinto/

Construção civil - 20Jul2018 13:28:12

Há quem diga que o problema da construção civil no nosso país não é a falta de financiamento, mas sim o facto das obras durarem muito tempo. Se as obras tivessem uma duração mais curta, os custos com mão-de-obra seriam mais aprazíveis e tudo ficaria mais barato.

Eis a solução para esse problema: tijolos com o triplo do tamanho dos tijolos normais. As obras ficariam concluídas três vezes mais depressa.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/10/construcao-civil/

Khadafi: o supremo distraído. - 20Jul2018 13:28:12

Diz hoje o Público (notícia aqui) que Khadafi deixou 1300 milhões de euros na Caixa Geral de Depósitos.
Eu também sou assim a modos que distraído. No outro dia, larguei uma moeda de 2? no café para pagar uma bica e um pastel de nata e esqueci-me lá do troco.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/10/khadafi-o-supremo-distraido/

Estereofonia móvel - 20Jul2018 13:28:12

Tenho um CD dos Eels que não sai do leitor de CDs do carro há mais de dois meses!

Já levei o aparelho a um electricista&



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/09/estereofonia-movel/

Enriquecimento ilícito - 20Jul2018 13:28:12

Esta história da criminalização do enriquecimento ilícito (notícia aqui) é uma coisa muito bonita. Mas há um conjunto de outras coisas que também merecem ser criminalizadas para o bem da nossa sociedade:

- penteados mullet (daqueles em que se corta o cabelo todo, menos atrás)
- malta que anda pela rua com as calças pelo joelhos (deliberadamente, e não por estarem a cair)
- falta de cinto nas calças (para ninguém se queixar que as calças estavam a cair por falta de cinto)
- condutores que não conseguem guiar a mais de 5cm do carro da frente
- imitações de marca branca dos gelados da Haagen-Dazs (são nojentas! Seja lá qual for a superfície comercial que lhe dá marca& e eu já as provei todas!)
- calças de bombazine cor-de-rosa e jardineiras (homem ou mulher)
- cheiro a sovaco em transportes públicos
- Tony Carreira e mega-piqueniques em locais públicos
- pontapés constantes na ortografia por parte dos legendadores de noticiários
- gente que fala alto em sítios públicos (gente que fala alto e demais& mas, normalmente, costumam as mesmas pessoas)
- Segundas-feiras chuvosas
- subidas com mais de 15% de inclinação (são um pincel para quem anda de bicicleta)
- bandas sonoras de telenovelas
- mais de 5 minutos de notícias acerca do futebol nos noticiários nacionais

Mas pronto, comecemos com o enriquecimento ilícito. É um tema mediático.
Esperemos apenas que este Governo não evite os temas fracturantes aqui apresentados, para o bem de todos nós.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/09/enriquecimento-ilicito/

Ménage-à-trois, parte 11 - 20Jul2018 13:28:12

Sumário deste episódio: nota de boas-vindas (ou bom regresso), filmes porno e marketing, Páginas Amarelas, despedida de solteiro do João Troviscal, chefes de cozinha, e mais algumas tretas sem importância.
Ligação ao ficheiro mp3: Clique aqui

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Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/08/menage-a-trois-parte-11/

Notícias do Minuto #1 - 20Jul2018 13:28:12

Porque todos temos vidas muito ocupadas e não há pachorra para noticiários longos e chatos.

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Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/07/noticias-do-minuto-1/

Minuto Indignado #2 - 20Jul2018 13:28:12

Um minuto de indignação aberto ao leitor/ouvinte. Porque toda a gente tem o direito a indignar-se.

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Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/06/minuto-indignado-2/

Minuto Indignado #1 - 20Jul2018 13:28:12

Um minuto de indignação aberto ao leitor/ouvinte. Porque toda a gente tem o direito a indignar-se.

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Fonte: http://www.dizquedisse.com/2011/06/minuto-indignado/

Estas roupas que carregamos - 20Jul2018 13:28:12

Uma balança de cozinha é, para muita gente, um acessório indispensável para o sucesso duma elaborada refeição. Só que a balança de cozinha também se presta na perfeição à& pesagem de roupa!

E porquê pesar as roupas, perguntam vocês? Bem, se alguém souber qual a melhor forma de fazer um cálculo estatístico do peso médio que carregamos em roupa ao longo dum ano, por favor chegue-se à frente e explique!

E é disso que venho aqui falar.

Como diz algures na Bíblia, ao primeiro dia Deus criou os boxers.
E, no meu caso, estamos a falar de boxers XL com um peso médio de 90 gramas, pelo menos de acordo com a minha fiel balança de cozinha da Ufesa.

boxers

Vamos assumir que o fato-de-banho que utilizei durante cerca de três semanas no Verão de 2009 tem o mesmo peso que estes boxers, apenas para facilitar os cálculos. Isso significa que, ao todo podemos contabilizar 360 dias de utilização de boxers de 90 gramas em 2009. Ou seja, 32,4 kg (360 x 90 grs).
(Sim, o ano tem 365 dias. Mas houve cinco dias em que não usei qualquer tipo de roupa interior, num contexto que prefiro manter do foro privado; ou que, a revelar, deixarei para a minha auto-biografia&)

Seguem-se as meias.

meias

Está aqui um espécimen exemplificativo do que utilizo diariamente. Como a balança denota, as minhas peúgas (sempre adorei este termo!) pesam aproximadamente 30 gramas. Portanto, se multiplicarmos 365 dias do ano por 30 gramas, chegamos ao bonito valor de 10950 grs (10,95 kg).
Sim, é verdade que não utilizei peúgas todos os dias do ano. Mas lembro-me perfeitamente de ter utilizado dois pares de peúgas durante três ou quatro dias em que estive na Alemanha, e um ou outro preservativo ocasionalmente. Isso deve compensar.

De acordo com as mais rígidas directivas europeias, a peça de roupa que um homem deve vestir a seguir aos boxers e meias deverá ser a t-shirt. Por isso, enquanto os leitores fazem um esforço especial para tentar não me imaginar de boxers, meias e t-shirt, vamos espetar com a dita cuja (a t-shirt!) na balança.

tshirt

E qual o peso de minha t-shirt? 190 gramas. Pela mesma lógica matemática de fácil compreensão, torna-se fácil inferir que  durante 2009  fui obrigado a carregar 69350 gramas de t-shirt. Logo, 69,35 kg.

Segue-se a bela da calça, também exemplificativa daquilo que uso normalmente. (na realidade, eu só tenho estas calças, mas prefiro deixar no ar a ideia de que há mais e não apenas um par& sim, que a vida não está para brincadeiras! Nem toda a gente tem dinheiro para andar às compras em Alcochete nos fins-de-semana!)

calcas

As minhas fiéis calças Lee pesam 900 gramas, aproximadamente.
Mas não é justo contar com 365 dias de calças por ano. Até porque houve um mês em que andei de calções. Por isso, vamos fazer a conta por baixo  até vem a calhar, já que estamos a falar de calças  e contar com 330 dias na companhia da ganga. Apenas porque estou bem disposto e não quero ser acusado de ser aldrabão.
330 x 900 grs = 297000 grs = 297 kg!

Segue-se a camisolinha, a minha segunda melhor amiga neste Inverno, logo a seguir à sopinha de legume mas a disputar um honroso segundo lugar com o cálice de Drambuie.

camisola

O peso duma das minhas camisolas? 700 grs.
Novamente, é preciso fazer as contas como deve ser. Isto é um trabalho dotado do maior rigor científico! Se fosse para fazer a coisa à balda, mais valia ter usado uma balança de chão.
Por isso, vamos contar com 6 meses de camisola. 180 dias x 700 grs = 126000 grs = 126 kg

E para terminar, que indumentária masculina estaria completa sem o tão bonito quanto robusto sapato?

sapato

Atenção! A utilização da forma singular não foi à toa. Estou a referir-me apenas a um sapato. Não é que eu seja perneta, extremamente forreta ou fervoroso adepto do pé coxinho. E sei que isto que vou dizer pode chocar muita gente. Peço-vos que compreendam que não se trata de snobismo da minha parte. É apenas reflexo da educação que me foi incutida.
Eu não ando de sapatos em casa! Pronto, está dito. Ando vestido pela casa, mas não de sapatos.
Por isso, tendo em conta que parte do meu ano foi passado de chinelos de praia ou de chinelos de trazer por casa, e que a utilização de sapatos ficou apenas reservada para os momentos em que estive fora de casa, é justo calcular apenas o peso dum sapato como forma de compensação.

E quanto é que pesa uma das minhas portentosas ferraduras de seu número 46? Cerca de 490 gramas. A balança da Ufesa é como o algodão, nunca engana.
Portanto, 365 dias x 490 gramas = 178850 gramas = 178,85 kg

Chegou a hora da verdade. Munindo-me da mais alta tecnologia chinesa de ponta (máquina de calcular), eis então a apresentação dos tenebrosos valores:

Boxers: 32,4 kg
Meias: 10,95 kg
T-shirts: 69,35 kg
Calças: 297 kg
Camisolas: 126 kg
Sapatos: 178,85 kg

Total: 714,55 kg

Estes números podiam dar azo a elaboradas análises. Como, por exemplo, notar que faz sentido que as peças de roupa menos visíveis (boxers e meias) sejam as que menos pesam. Já que vamos carregar matéria pesada, ao menos que os outros as consigam apreciar também.

Mas nada me consegue afastar a atenção da inesperada realização que, só durante o ano de 2009, fui obrigado a alancar 715 kg de roupa em cima do corpinho. Não me admira que esteja sempre com um apetite do caraças!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2010/01/estas-roupas-que-carregamos/

Video de Natal 2009 - 20Jul2018 13:28:12

Julgo que devemos uma explicação aos nossos(as) leitores(as) pela nossa fraca comparência neste site. A verdade é que isto continua a ser um hobby para nós. E agora que as vidas estão um pouco mais atarefadas (o João Troviscal com filhote e o André Toscano com novos sabores da Haagen-Dazs para degustar), há coisas que acabam por ficar para segundo plano. Este site foi uma delas.

No entanto, caso você tenha aqui caído de pára-quedas e ainda não saiba, nós marcamos agora presença diária numa página do Facebook, à qual pode aceder aqui facebook.com/dizquedisse

Porquê no Facebook? Porque as actualizações são práticas, podem ser feitas em qualquer lugar (desde que haja rede móvel), porque está lá muita gente e porque é onde as pessoas estão que nós temos de estar também. Se fosse para andar a falar para o boneco, fazíamos um programa com o Pacheco Pereira.

Este site vai acabar? Não. Vai levar um rearranjo no ano que vem, sem dúvida. E queremos também lançar um livro do DQD, com a colecção dos melhores textos, alguns contos inéditos, entrevistas a gente famosa, ilustrações diversas, enfim& uma mixórdia de diversão para toda a família. Mas cada coisa a seu tempo.

Para já, aqui fica a prova de que não é preciso ter árvores gigantes em background para desejar um feliz Natal às pessoas.

Salvé!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/12/video-de-natal-2009/

Prémios Ignóbil 2009 (e Joana Amaral Dias?) - 20Jul2018 13:28:12

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Tenho uma confissão a fazer. Sempre que a Joana Amaral Dias aparece no ecran da minha televisão, baixo instantaneamente o volume  apenas para ouvir a voz dela ao de leve  e ponho um disco do Barry White a tocar. Observo-a a virar-se, a mexer no cabelo em câmara lenta, medito sobre o espectáculo. Não penso no passado nem no futuro. Não penso de todo. Olho apenas para ela e bebo o momento como se não existisse mais nada.

Alguns poderão inferir que se trata de machismo. Lá porque a mulher é linda, isso não quer dizer que não tenha argumentos válidos para defender, não é? Mas isso não podia estar mais longe da verdade. A Joana Amaral Dias pode falar de política, tal como poderia ser crítica de moda ou comercial da RAID. Imaginem-na com um top apertado e um decote revelador, a sorrir, num outdoor com uma lata de Raid em cada mão e um slogan do género Sempre que quero dormir descansada, conto com estas duas. Eu comprava logo! E nem tenho melgas e rastejantes em casa& (apesar de já ter rastejado duma divisão da casa para a outra, mas isso é uma história que vai permanecer no foro privado, para usar uma expressão dos nossos tempos&)

A reacção que aquela mulher provoca em mim, por paradoxal que pareça, é uma total falta de reacção. Fico ali quietinho e prostrado a olhar para a Samsung, com um fio de baba a baloiçar-se no meu lábio inferior, tal como um daqueles toxicodependentes que vemos nas reportagens quando acabam de dar o chuto na veia.

É claro que o design duma embalagem ou de um produto é importantíssimo para as sua vendas. Como os profissionais de marketing e os publicitários já aprenderam há muito tempo. E o mesmo deve ser válido para o marketing político. Ninguém me tira da cabeça que se a Joana Amaral Dias ainda estivesse no Bloco de Esquerda e tivesse feito um cartaz provocante com a Ana Drago, neste momento o BE seria certamente a 3ª força política em Portugal (senão mesmo a 2ª).

E o que é que a Joana Amaral Dias tem a ver com os prémios Ignóbil de 2009? Bem& na realidade, não tem muito a ver. Confesso que foi uma introdução um pouco mais longa do que o costume, e eu peço desculpa aos leitores por isso. Às vezes esqueço-me que escrevo para pessoas ocupadas e que não têm tempo a perder com estas deambulações meio disparatadas.

A verdade é que o marketing político não funcionou no caso da Joana Amaral Dias. A mulher é tão bonita que nenhum homem consegue ouvir o que ela tem para dizer. Nós, homens, regredimos a níveis muito primários quando vemos uma mulher excessivamente boa. É assim que estamos construídos biologicamente.
O quê? Sim, isso da situação dos professores é uma vergonh& é pá, olha para aqueles lábios quando ela sorri& Sim! Sim! Acho que o Presidente da República podia ter dado mais explic& bem, imagina só aquele cabelo a roçar no meu peito com ela montada em cima de mim!&. Sim, e o Sócrates tamb&

Bem, já perceberam a ideia. É o mesmo que remar contra a maré. Não num rio normal, mas nos rápidos. Não com remos, mas com chopsticks de bambú. Impossível, a não ser que acredite em milagres (e mesmo que acredite, isso não quer necessariamente dizer que eles ocorram).
E longe de mim querer sugerir que foi por causa disto que a Joana Amaral Dias foi corrida das listas do Bloco de Esquerda! Até porque, como já referi, a política é a última coisa que me passa pela cabeça cada vez que a vejo.

Ok, ok, os prémios Ignóbil!
Bem, agora este post está a ficar com um tamanho grande demais e já devo ter perdido metade dos cinco leitores que aqui vieram. Por isso, para os dois leitores e meio que ainda resistiram, os prémios Ignóbil são a versão mais interessante dos prémios Nobel.
Estes últimos galardoam diversos cientistas e artistas de renome que dedicam a sua vida à procura da excelência nas suas respectivas áreas.

Os prémios Ignóbil, por outro lado, são dedicados a todos os cientistas que investigam assuntos incómodos, politicamente incorrectos ou, duma forma geral, pura e simplesmente cómicos. Mas que, todavia, contribuem para o avançar do conhecimento humano.

Este ano, entre os vencedores dos prémios Ignóbil, contam-se os seguintes sucessos:

- Katherine Whitcome, Ignóbil da Física, por demonstrar analiticamente porque é que as mulheres grávidas não tropeçam para a frente quando andam

- Donald Unger, Ignóbil da Medicina, por ter estalado os dedos da mão esquerda (e nunca da direita) durante 60 anos para poder estudar as diferenças, servindo assim ele próprio de objecto de estudo e também de controlo;

- Elena Bodnar, Raphael Lee e Sandra Marijan, Ignóbeis da Saúde Pública, por terem inventado um soutien que, em caso de emergência, pode ser utilizado como um par de máscaras de gás.

Hmmm& agora imaginem que um dia eu tenho a sorte de estar ao lado da Joana Amaral Dias quando houver um ataque químico&. lal alas kaldk alk ada da a.d.aad-a-d-a-ad-&&..


Informação na net sobre os prémios Ignóbil:

Site oficial dos Ignóbil com os vencedores de 2009

Notícia da BBC acerca do vencedor deste ano



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/10/premios-ignobil-2009-e-joana-amaral-dias/

Acusações infundadas - 20Jul2018 13:28:12

Costumam acusar-me de ser herege ou anti-religioso. Isso é injusto! Eu digo valha-me deus! várias vezes ao dia. Normalmente é logo a seguir a ligar a televisão, e antes de a desligar.
E este Verão tive novamente uma bíblia como fiel companheira de praia. Continua a ser melhor forma de elevar a cabeça na toalha.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/09/acusacoes-infundadas/

Se o CDS se coligasse com o PNR? - 20Jul2018 13:28:12

& provavelmente seria esta a versão do Cops que substituiria o Telejornal das 20!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/09/se-o-cds-se-coligasse-com-o-pnr/

Cancelamento do cartão - 20Jul2018 13:28:12

Ontem fui a uma casa de putas e tenho a impressão que uma brasileira me roubou a carteira. Também pode ter sido uma ucraniana, não tenho bem a certeza (quais é que cheiram mais a leite de côco?)
Se alguém estiver a ler esta mensagem, por favor ligue para o Millennium e peça para me cancelarem o cartão de crédito.
Obrigado.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/09/cancelamento-do-cartao/

Os Gato Fedorento e os esmiuçansos - 20Jul2018 13:28:12

gatofedorento

Sempre que algum fenómeno novo aparece em Portugal, é certo e sabido que rapidamente meia-dúzia de sabichões tirarão as cabeças das respectivas tocas em que se encontravam escondidos. Esses sabichões olham, então, à sua volta, e não perdem a oportunidade de afirmar, perante a massa anónima de ignorantes que consideram ser o resto do país, que eles não se deixam levar por cantigas. Não, senhor! Eles sabem qual a origem  normalmente estrangeira  do fenómeno que agora cá observamos. E é a sua missão informar o resto do país que eles sabem disso.

E este recente formato dos Gato Fedorento não escapa à língua afiada dos sabichões.
Digamos que não é inesperado. Que um chorrilho de imbecis iria desatar a comentar nas versões online dos jornais, afirmando que o Gato Fedorento é copiado do Daily Show e por aí fora, isso já nós estávamos à espera. Confesso-me até surpreendido como é que ainda ninguém reparou que o genérico com coisas a andar à roda foi inspirado no genérico da lendária série britânica The Day Today, produzida por Steve Coogan e Chris Morris em 1994. Ah, já sei, é porque nunca passou na televisão por cabo& a bem ou a mal, o que nos vale é que os sabichões só conseguem fazer comparações com aquilo que vêem quando estão a fazer zappings.

Agora, lermos um comentador dum jornal, ainda por cima um respeitoso jornalista como Ferreira Fernandes (cujas crónicas diárias no DN muito admiro) a acusar os Gato Fedorento Esmiúçam os Sufrágios de ser um plágio do Daily Show& francamente, era da classe jornalística que menos esperava ler uma coisa destas.

Por outro lado, compreende-se. Um jornalista vê aquilo que lhe parece uma falcatrua a ser cometida, e sente que tem de a denunciar. Está-lhe nos genes. Especialmente cá em Portugal, onde os comentários jornalísticos foram originalmente inventados.
O quê? Não foram inventados cá? Hmm&
Sim, mas pelo menos os jornais foram. Valha-nos isso!
O quê?! Também alguém inventou a imprensa escrita antes dos portugueses?! Estão a querer dizer-me que a publicação de notícias diárias em papel, com comentários de jornalistas residentes, não é um conceito nosso?
Bolas! Não tarda nada estão a dizer-me que a televisão também apareceu primeiro noutro país e que não foi inventada por nós&

Pensando bem, o Ferreira Fernandes é capaz de ter razão. Esses Gato Fedorento são uns plagiadores do caraças! Olhem para o Ricardo Araújo Pereira. Então não é que o gajo usa fato e gravata e está sentado a uma secretária, tal como o Jon Stewart?! Não tarda nada estão-me a dizer que também mijam os dois de pé&



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/09/os-gato-fedorento-e-o-esmiucanso/

Heróis da pequenada aventuram-se pela estomatologia - 20Jul2018 13:28:12

Sabemos que nos aguarda uma experiência invulgar quando ouvimos, numa ida ao dentista, a frase ?Ora, então, deite-se aí em cima do Noddy!?.

Há uns tempos caiu-me uma massa que tinha num molar. Lembro-me de pensar, na altura, que era bem capaz de ser boa ideia ir tratar daquilo, um dia qualquer. E, na verdade, foi isso que acabei por fazer. ?Um dia qualquer? que calhou a ser largos meses depois do incidente inicial. Isto não estava esquecido; por isso achei de mau tom que esta afecção da boca se tivesse armado em impaciente e, de um dia para o outro, entendesse que era correcto começar a castigar-me daquela maneira. É preciso desfaçatez!

Foi num domingo que começou. Por acaso foi bom porque, na segunda-feira imediatamente a seguir, começavam as minhas férias. Sempre achei que uma coisa que combina bem com sol, areia, mar e esplanadas é a sensação de ter o lado direito da cara preso num torno mecânico, operado por um fervoroso admirador do trabalho de Torquemada.

No dia seguinte, e após uma noite bem passada na companhia do que a indústria farmacêutica têm para oferecer no domínio dos analgésicos, saí em busca de uma clínica de dentista nas proximidades da minha residência. Depois de um começo algo hesitante, lá me indicaram uma clínica que havia ?ali na rua de cima, ao lado da engomadoria? e que ?era de miúdos?, mas que ?parece que tem dentista?. Dar com o local não foi complicado: as gigantescas fotografias de bebés sorridentes e de grávidas esperançosas que forravam a fachada não enganavam.
Dirigi-me à recepção com as reservas naturais de alguém que vai com a certeza de que, daí a quinze segundos, terá gente a rir-se à gargalhada na sua cara por não ser capaz de detectar as mais elementares pistas que lhe são oferecidas de forma tão ostensiva pelo ambiente. Na minha cabeça, aquela senhora sentada atrás do balcão, clicando com o rato, haveria de, mais tarde e quando em família, relatar com estardalhaço que ?apareceu lá um indivíduo que, mesmo com as fotografias de putos espalhadas por todo o lado, estava convencido que estava no local certo para tratar de um dente! Ah-ah-ah! Que imbecil&?.
Mas não. Ao meu tímido ?ah, tenho aqui um problema num dente& Não sei se me podem fazer alguma coisa&?, ela respondeu com um enérgico ?sim, sim! Vamos já tratar disso!?.

A sala de espera, para além dos já habituais números atrasados da Nova Gente e da Caras, tinha também a Pais & Filhos; a televisão não estava no Goucha, mas sim num canal de desenhos animados (foi dessa vez que tive o meu primeiro contacto com o intrigante Manny Mãozinhas); e pelo chão estava espalhado um vasto sortido de brinquedos. Ainda tentei entreter-me com um carro de bombeiros que por lá estava, mas um ranhoso de um puto desatou num pranto, e foi a correr ter com a mãe a dizer que eu lhe tinha dado um soco no olho& No fim de contas, bem mais agradável do que as salas de espera tradicionais.

O consultório é mais um exemplo da vocação da clínica para os cuidados pediátrico. Aliás, isso é desde logo bem visível pela recepção que me foi feita pelo especialista: ?Eh pá! Estava à espera de um João pequeno, e aparece-me você com esse tamanho!?. E foi então que proferiu as palavras que nunca esperei ouvir num dentista. Num baile de máscaras tipo Eyes Wide Shut com tema infantil talvez, mas num dentista não. ?Deite-se aí em cima do Noddy!?. Há aquela ideia (e eu não estou a dizer que é a correcta) de que ir ao dentista é o equivalente médico ?moderado? das violações de discoteca: dão-nos uma droga para ficarmos meio zonzos, e depois abusam do nosso corpo de formas que não gostamos de imaginar (nesta óptica, o equivalente médico ?duro? da violação em discoteca será o exame de colonoscopia). Ora, se isto não é, por si, uma perspectiva agradável, quando me disseram para me deitar em cima do Noddy, fiquei com a sensação que não haveria de sair daquele consultório sem um gangbang em cima. Dorido, não de apenas uma cavidade, mas de duas. Nem sei o que seria pior: se o gangbang, se as sessões de psiquiatria a tentar convencer o médico de que tinha sido violado por uma popular personagem de desenhos animados. Felizmente, o Noddy portou-se bem.

Um aspecto que deve ser louvado é a vertente pedagógica destas consultas. O médico, antes de se aplicar na cura da afecção estomatológica que me atormentava, optou por me oferecer uma descrição, plena de detalhes, não só do problema, como do procedimento a seguir. Voltando a uma imagem que, confesso, não gosto muito, é como se dissessem ?Toma lá o teu Créme de Menthe, mas atenção que tem uma poderosa droga lá misturada. É só para facilitar o meu trabalho, já que daqui a pouco conto levar-te ali para armazém abandonado, e penetrar-te à bruta&?.
Mais: esta descrição foi auxiliada por esquemas gráficos, ilustrando cortes longitudinais de dentes.

- Está a ver ali aquele desenho?

- Ao lado do quadro do Noddy? (Se há coisa de que não poderemos acusar esta clínica é de falta de coerência: quão fácil seria misturar ao calhas o Noddy com o Tio Patinhas ou com o Homem Aranha! Aqui não. Noddy é Noddy!)

- Sim, ao lado do Noddy& O que se passa com o seu dente é que aquela parte ali de cima não existe, portanto, aquelas veiazinhas ficaram expostas e, entretanto, chegaram a um estado de necrose. De maneira que, o que vamos fazer nesta intervenção de hoje (terá de vir cá mais vezes) é rebentar com esta parte do dente, para depois extrairmos grosseiramente a matéria morta que está cá dentro.

- Isso, pela sua descrição, parece ser extremamente doloroso&

- Nááá& Como o nervo está morto, o mais provável é que nem sequer sinta nada. E para provar isto que estou a dizer, vou começar a mexer nisto sem lhe dar anestesia.

E a verdade é que não doeu. Pelo contrário: muito apreciei quando me eram mostrados os bocados de carne podre que iam sendo extraídos do meu doente dente. Mal comparado, é como se uma pessoa, no final de contas, acabasse por travar amizade com o violador da discoteca, e quisesse até marcar outro encontro com ele.
No geral, foi uma experiência bastante agradável, por entre o surrealismo dos múltiplos Noddies que sorriam ao som da broca, e as boas tiradas humorísticas do médico (a maior parte delas sobre bebidas alcoólicas ? espero que ele não use este material nas crianças!).

Já lá voltei por mais algumas vezes e, em todas as ocasiões, a experiência foi igualmente prazenteira. E eu não estou só a dizer isto por estar com medo de retaliações da próxima vez que lá for (nunca se sabe onde é que os leitores do DQD se escondem!)!

Mesmo assim, sempre que o Noddy aparece na televisão, sinto um calafrio.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/09/herois-da-pequenada-aventuram-se-pela-estomatologia/

Epifania em Fátima - 20Jul2018 13:28:12

Os leitores regulares deste site sabem que sou um sacana de um ateu blasfemo. A isto eu digo: ?mas a quem é que estão a chamar de sacana, bandidos??.

Mas mesmo eu, meus amigos, tenho de admitir que, por vezes, sinto a mão divina, como que a acariciar-me o cabelo na sua suprema bondade. Um destes momentos aconteceu, não há muito, aquando de uma visita a Fátima.

Estive de férias e, como tinha ido visitar as Grutas de Mira d?Aire, decidi fazer um pequeno desvio, com o intuito de respirar a beatífica paz que impregna o majestoso descampado do célebre santuário. Para além disso, ia com a ideia de comprar uma daquelas t-shirts com a Nossa Senhora. Lamentavelmente, não as encontrei à venda& É que nem sequer precisavam de ser aquelas t-shirts metrossexuais que o Miguel Ângelo usava quando andava a percorrer o país com o programa Cantigas da Rua! Bastava uma das normais, com aquelas impressões manhosas& Mas não. Eram só pernas e braços de cera& T-shits com a efígie da mãe de Cristo que é bom, nada. Enfim, se calhar é um item que, dada a sua ímpar espectacularidade, só se encontra nas lojas de artigos religiosos mais underground de Fátima& Aquelas que só mesmos os fanáticos conhecem.

Se eu fosse cínico, poderia dizer que o poder sobrenatural daquelas paragens se fez sentir logo aquando da nossa chegada: um lugar de estacionamento mesmo ao pé do santuário e, milagre dos milagres, nem sequer o espírito de um arrumador por perto! Mas seria palerma tentar descobrir a influência de Nossa Senhora em situações rodoviárias de natureza tão insignificante.

Carro arrumado, família a caminho do santuário. Como que protegendo o nosso humano entendimento, as frondosas árvores que ladeiam o caminho empedrado de acesso só a pouco e pouco revelavam a enormidade do recinto religioso. Num dia como este, fora das grandes peregrinações, em que só pequenos grupos pontilham, a grandes espaços, o branco dos sagrados mármores, pode-se verdadeiramente experimentar a pequenez da nossa condição, e sentir que aquele vazio que tanto nos impressiona talvez não esteja, afinal, assim tão vazio.
Vislumbrámos, na lonjura da outra margem do recinto, bancos de pedra perfeitamente alinhados sob a apaziguadora sombra de grandes árvores. O local perfeito para dar o iogurte do lanche ao petiz (uma dúvida que deixo para os leitores teólogos: será herege o consumo ou administração a terceiros de produtos lácteos em solo sagrado?).

Iogurte deglutido, família em contemplação. Por detrás de nós, um bando de brancas pombas num tranquilo agitar. À nossa frente, um grupo de visitantes de terras longínquas descia o pelas alvas lajes, dividindo o seu devoto olhar entre o Deus que adivinhavam no céu, e o Deus que descobriam na Igreja à sua frente. No alto, o Sol, na força do estio, vestia tudo e todos com um halo de um brilho quase invisível.

E foi então que o senti. O meu milagre pessoal.

Primeiro como que uma picadela que nos acorda de um sonho. O sobressalto da quase certeza da tragédia. Um suor frio. O medo de olhar. Levantei-me& e lá estava! A folha de alumínio que fechava o iogurte que tínhamos acabado de dar ao puto: tinha-me sentado em cima dela!
Depois, dedos trémulos. Procurando, hesitantes e à espera do pior, do estrago que o infeliz acidente tinha causado. Olhos arregalados em espanto: nada! Nem uma gotícula do iogurte nos calções! Imaculados! Nada para sujar o estofo do carro; nada para, mais logo, cheirar a azedo. Como? Pois se lhe apliquei com todo o meu bruto peso& A minha esposa devolveu-me, em silêncio, o olhar incrédulo que lhe lancei. ?Este tipo de coisas não acontece assim, sem mais nem menos?, parecíamos ter dito. Então endireitei-me. Olhei à minha volta, num esforço infrutífero de descobrir algo na inanimada paisagem. Dificilmente teria direito a um sinal mais poderoso do que aquele que já me tinha sido dado. Inspirei profundamente e meneei afirmativamente com a cabeça. ?Eu sei. Eu sei?. Fomos para o carro, e fizemo-nos ao caminho&

Agora ide lá para Santiago de Compostela, e sentai-vos em cima de tampas sujas de iogurte, a ver se ficais com os calções em bom estado!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/08/epifania-em-fatima/

Se os políticos escrevessem livros? - 20Jul2018 13:28:12

Agora que estamos em épocas de Verão, há que actualizar os conhecimentos através da leitura. O que muitos cidadãos não sabem é que os todos os nossos líderes políticos possuem elaboradas carreiras literárias por força da sua formação extra-curricular. Dê uma olhadela no catálogo de livros escritos pelos nossos políticos preferidos& e boas leituras! (nota: funciona melhor se imaginarem as vozes dos intervenientes ao lerem os textos)

Nutrição e desenvolvimento sustentado (por Jerónimo de Sousa)

nutricao_jeronimo

Pequeno excerto

O cérebro  representado na nossa analogia por um orgão da Direcção  recebe sinais do estômago que o avisam que estamos com fome. Os sinais, normalmente fracos e oprimidos, notificam a Direcção de que falta algo ao nosso organismo para o seu correcto funcionamento. Mas como o pão não chega às bocas das classes operárias estomacais, os sinais esforçam-se para conseguir a atenção da Direcção, laborando mais do que o costume e aumentando ainda mais a sensação de fome.

A Direcção, após ter sido fustigada violentamente pelas autoridades sindicais competentes (representadas por imagens mentais de refeições diversas), procede então à aquisição da matéria-prima necessária para que os orgãos operários possam laborar e suportar activamente toda a estrutura.

Cuidado! Não são raros os casos em que a Direcção  na ânsia de deslocalizar alguns dos seus quilos excedentários  decide pura e simplesmente não fornecer as matérias-primas às classes operárias. Isto provoca perda de empregos e precariedade nutritiva. Especialmente nas indústrias da acumulação energética, precariedade essa largamente intensificada em épocas de veraneio.

Nestes casos, as organizações sindicais costumam requisitar um abaixamento do ritmo metabólico de toda a indústria, diminuindo assim o ritmo da produção, mas salvando dezenas de postos de trabalho através duma situação de lay-off que não implique despedimentos.



O Capuchinho Vermelho (por Francisco Louçã)

capuchinho_louca

Pequeno excerto

- Avozinha, porque tens uns olhos tão grandes?
- Querida netinha, os meus olhos estão prestes a ficar muito pequeniiiiiiiinos, porque eu vou fumar essa ervinha que tens no teu cestinho e que trouxeste de Amesterdão.
- Avozinha, porque é que eu tenho de ir a Amesterdão buscar white widow?
- Netinha, porque o nosso Governo só é progressista para umas coisas e não para outras. Se esta ervinha fosse legalizada, só precisarias de a colher no nosso quintal. Escusavas de andar dias a caminhar até Amesterdão e a criar bolhas nos pés, ou a ter de comprar aos dealers que provavelmente te venderão produtos de inferior qualidade se não tiverem aquilo que tu procuras.
- Pelo menos já posso abortar, avó&
- Valha-nos isso, netinha! Caso contrário, seria mais um problema a acrescentar aos que já temos! Pelo menos agora o problema das tuas violações no caminho até Amesterdão ficou resolvido&
- Avozinha, porque tens uma boca tão grande?
- Netinha,& tendo em conta que acabei de fumar a ervinha que me trouxeste e que me está a dar uma grande fominha, eu diria que é para te comeeeeeeeeeeeeeerrrrrrr!!!!!!!



Os três porquinhos (por Paulo Portas)

porquinhos_pauloportas

Pequeno excerto

Heitor: lá vem o sacana do lobo soprar outra vez!
Prático: é sempre a mesma merda! Anda um gajo a levantar as palhotas para este sacana vir cá dar cabo de tudo. Mas olha lá, este lobo não estava preso?!
Cícero: esteve! Passou o fim-de-semana lá dentro e soltaram-no novamente!
Heitor: o quê? Mas o sacana não comeu um cordeiro idoso que ia a atravessar uma clareira no outro dia?
Cícero: pois, pois foi! Mas pelos vistos essa merda já não dá cadeia!
Prático: mas que porra vem a ser essa?! Quer dizer, eu comi duas ou três bolotas que apanhei no caminho e tive de pagar uma multa à ASAE, e este cabrão deste lobo anda para aqui a fazer isto e não lhe acontece nada?!
Cícero: sabem porquê, não sabem?
Heitor/Prático: porquê?!
Cícero: ora porquê& porque é um lobo do Leste. Qualquer escumalha que venha lá de fora escapa-se sempre às malhas da Justiça!
Prático: mas isso não é justo! Então nós somos porcos que sempre viveram aqui, que sempre trabalharam aqui e agora temos de alancar com esta malta que vem de fora e que nem sequer fala a Língua?
Cícero: Mas é precisamente por isso, pá! Dá trabalho e custa dinheiro arranjar tradutores, advogados para os defender, e sei lá que mais! Sai mais barato ao Estado deixá-los à solta do que metê-los lá dentro!
Heitor: raisparta! Lá vai o sacana do lobo soprar outra vez! Segurem-se!
Prático: uma coisa eu vos digo, se escaparmos disto com vida, não tenham dúvidas que desta vez vou votar naquele senhor de bóina que costuma fazer vindimas e que aparece sempre nas campanhas lá na nossa feira de gado!
Cícero/Heitor: apoiado!



Pensamento positivo (por José Sócrates)

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Pequeno excerto

Você é aquilo que pensa.
Não é possível modificar o passado.
Mas o futuro é um conjunto de possibilidades infinitas a cada cruzamento definido pelas opções que você tem de tomar.
As opções que se tomam dependem do seu estado de espírito.
Pense positivamente. O futuro resolver-se-á, o universo desenrolar-se-á como sempre fez. Você não é responsável pelos males do mundo. Nem pelos males do seu país.
Pense positivamente, faça as melhores opções e, acima de tudo, vire as costas aos problemas.
Reparará que, na busca dum estado de espírito claro e positivo, o exercício físico ajudará. Eu recomendo um jogging matinal. Não é preciso equipamento dispendioso, basta usar as perninhas que os seus pais lhe deram. O exercício físico intenso liberta dopamina e serotonina no seu sistema sanguíneo, tornando-o menos atreito a estados negativos e depressivos.
Pense positivo. Diga não às suas apoquentações. Ainda está para nascer alguém capaz de resolver os seus problemas como você.

Confie em si. Faça que não com o indicador aos seus problemas quando estes lhe baterem à porta. Mande-os dar uma volta ao bilhar grande! Corra um pouco todas as manhãs. Não acredite na invenção da crise. O pensamento positivo está na raiz de todas as soluções.



Combatendo o positivismo excessivo (por Manuela Ferreira Leite)

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Pequeno excerto

Pensar nas coisas não adianta nada. É preciso fazê-las.
Todos temos a aprender com os nossos erros e o nosso passado.
E nós sabemos que o futuro não nos apresenta possibilidades infinitas. Cada cruzamento na nossa vida assemelha-se mais a uma bifurcação.
As opções que tomamos não dependem do nosso estado de espírito. Pensar negativamente tem as suas utilidades práticas. Apenas as pessoas verdadeiramente pessimistas conseguem perceber onde é que um plano poderá falhar.
Você é responsável pelas acções que toma. Acima de tudo, nunca vire as costas aos problemas.
Na sua busca pelo controlo da sua vida, abstenha-se de actividades que quebrem a sua rotina ou o projectem para situações inesperadas. Recomendo uma dieta equilibrada. O exercício é apenas uma fonte potencial de lesões musculares que o deixarão menos produtivo e com o apetite mais aberto. Evite fazer exercício a todo o custo!
Aceite as suas apoquentações com naturalidade: elas fazem parte da vida. E lembre-se que você não é insubstituível. Pode sempre delegar as tarefas mais aborrecidas para outras pessoas.
Não confie em si. Se confiasse, não estaria a ler este livro. Confie no conhecimento. Adquira um pouco todos os dias, duma forma religiosa.
É o conhecimento acerca do mundo que o rodeia que o ajudará a atravessar esta grave crise económica em que vivemos.
E não se esqueça, não faça exercício. Muito menos jogging!



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/07/se-os-politicos-escrevessem-livros/

Descoberta gastronómica - 20Jul2018 13:28:12

A vida tem destas coisas. Está uma pessoa descansadinha na secção de material de escritório de uma grande superfície comercial, imerso naquilo que o mercado tem para oferecer em termos de ábacos modernos, quando, sem dar por isso, se vê perante uma iguaria potencialmente capaz de ombrear com grandes clássicos da doçaria como as farófias ou o toucinho-do-céu.

Refiro-me à Calculadora Electrónica de Sobremesa!

embalagem

Mais de perto, para os leitores que já têm a vista toda queimada com a luz trémula dos monitores&

zoom

Ora, como é evidente, isto interessou-me de imediato. Curioso como sou, por um lado, pelos mais recentes avanços no mundo da aparelhagem de escritório e, por outro, por sobremesas em geral, soube que não poderia nunca passar ao lado deste artigo. Se isto bastou para espicaçar a minha curiosidade, mais ela o ficou aquando da mais minuciosa inspecção da caixa: em anúncio estão uma série de características técnicas da máquina, a saber, a sua impressionante capacidade para doze dígitos, ou o seu ecrã LCD de mastodônticas proporções, mas nem uma palavra sobre o sabor ou a informação nutricional. A esconder o jogo, hem!

Chegado a casa, dediquei-me de imediato à prova.
Fiel à tradição, comecei por experimentar algumas operações algébricas de baixa complexidade.

contas

Apraz-me revelar que este espécime passou no teste com grande distinção, resolvendo sem dificuldade adições, subtracções, multiplicações e até divisões. Digna de registo é a inclusão de alguns botões com indicações obscuras que nunca ninguém utilizará (coisas como ?MRC? ou ?AC?).

Posto isto, é altura de passar as propriedades organolépticas da calculadora. Em termos de aspecto, a calculadora não impressiona.

visao

É verdade que certos elementos, como o azul-cobalto que envolve o visor ou os apliques de borracha laterais, ainda conseguem oferecer alguma sofisticação ao conjunto que, no entanto, se vê irremediavelmente prejudicado pelo metalizado baratucho da consola central (e atenção que, por vezes, o metalizado até funciona bem em alimentos. Basta ver, a título de exemplo, o peixe-espada).

olfacto

No nariz, embora o cheiro a plásticos e borracha não seja desagradável, não é bem aquilo que se espera de uma sobremesa. Seja como for, e tendo em conta que estamos aqui a desbravar território virgem, decidi dar-lhe o benefício da dúvida.

Passemos, então, ao paladar. Neófito como sou nestas coisas de degustar calculadoras electrónicas, optei por não recorrer a quaisquer talheres, atacando o aparelho como se fosse uma barra de chocolate.

paladar

Veredicto final: A calculadora trata-se, efectivamente, de uma sobremesa diferente. Mas não faz o meu estilo. Para começar, é extremamente rija. Uma iguaria que oferece estas dificuldades à sua ingestão deveria, quanto muito, ser um prato principal.
O recheio contém certos elementos metálicos que se espetam gengivas adentro. Este ponto não é necessariamente mau, já que o sabor a sangue oferece um contraponto interessante aos cristais líquidos do visor.

Curiosamente, após a prova, a máquina já não tem uma performance tão boa ao nível aritmético&



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/07/descoberta-gastronomica/

David Carradine ? R.I.P. - 20Jul2018 13:28:12

Hoje gostaria de aproveitar este espaço, geralmente preenchido com inconsequentes palermices e estupidezes várias, para deixar uma sentida homenagem a um ídolo pessoal, que recentemente nos deixou: David Carradine.

Faz parte do meu imaginário infanto-juvenil a imortal série de televisão Kung Fu, onde o actor interpretava com rara mestria a personagem principal Kwai Chang Caine. Muitas e valiosas lições nos chegavam pelas acções do protagonista. A minha favorita era a de se ser capaz de andar em cima de areia sem deixar marcas. Lembro-me de tentar, com afinco, fazer isto nas nossas praias. Sempre sem sucesso.

Esta morte fora de tempo afecta-me (eu sei que já foi há algum tempo: tenho estado em luto desde então). E o que eu gostaria era que homenageássemos, eu e o leitor, este actor durante alguns momentos, em silêncio.

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Gostaria também de pedir ao leitor para recordar David Carradine. Pense em David Carradine quando andar nos seus afazeres diários. Pense no David Carradine quando estiver no trânsito, a precisar de uma boa dose de estoicismo zen. Mas, acima de tudo, pense no David Carradine quando estiver em casa, a tocar-se de forma marota.

David Carradine vem engrossar (e aqui chamo a atenção para o espirituoso uso da expressão ?engrossar?, neste contexto) as fileiras de celebridades falecidas enquanto se aventuravam pelos sempre traiçoeiros caminhos da asfixia auto-erótica. Como o leitor saberá, o actor foi encontrado morto dentro do armário do seu quarto de hotel na Tailândia (onde se encontrava em rodagem de mais um clássico da sua filmografia), com uma corda apertada em volta do pescoço e do pénis.

Pensai, agora, na elevação ímpar deste homem. David Carradine era uma super-estrela do mundo do espectáculo. Conhecido e adorado no mundo inteiro. Próspero. E deixou ele que tudo isso lhe subisse à cabeça? Não, não deixou! Até no momento da sua morte, David Carradine deixa ao mundo uma poderosa lição de humildade. Parece que o estou a ouvir:

?Sim, estamos na Tailândia.
Sim, há por aí gajas capazes de espremer laranjas com a senaita.
Mas a mim, quem me tira o meu cordel, tira-me tudo!?

Descansa em paz, David Carradine.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/06/david-carradine-rip/

Instituto de Beleza Juarez - 20Jul2018 13:28:12

juarez2

- Instituto de Beleza Juarez, boa tarde!

- Boa tarde. Diga-me uma coisa, eu passei em frente ao vosso instituto e vi o placard que têm com a lista de serviços..

- Sim?&

- E reparei que têm a modalidade de Química em Geral. Portanto, gostava de saber se era possível comprar uma arma química para utilizar em ataques terroristas?

- Com certeza. Que tipo de calibre é que precisa?

- Calibre?

- Sim, quer uma arma para ataques de grandes dimensões? Ou prefere uma coisa que possa usar no interior dum transporte público, por exemplo?

- Essa do transporte público parece-me interessante. Eu ando muito de Metro.

- Ok, se costuma andar de Metro, a arma que tem tido mais saída é o Pulverizer 2010.

- E o que é isso?

- No fundo, é um simples pulverizador agrícola. Só que em vez de pesticida, carregamo-lo com gás mostarda.

- Hmm& isso parece-me interessante.

- E se comprar esta semana, estamos a fazer uma promoção. Paga 350 euros e oferecemos-lhe a máscara de gás.

- Pois, a máscara é importante, pois é& Mas eu estava à procura de qualquer coisa mais explosiva.

- Então, se calhar estará interessado nalgumas granadas de mão? Só tem de ter o cuidado de as mandar para dentro da carruagem antes da porta se fechar, e depois correr dali para fora.

- Granadas? Não parece má ideia.

- Pois, o Pulverizer 2010 é uma arma elegante. Mas se está à procura de algo mais barulhento e arrasador, uma granada é um clássico. Ou como nós costumamos dizer aqui na brincadeira, é um clássico que mata mas nunca morre! He! He! He!

- Hehehe! E há alguma promoção nas granadas?

- Claro, meu amigo! Se comprar meia-dúzia delas, oferecemos-lhe um molho de bombas de fumo. São o ideal para encobrir a sua fuga para fora da estação de Metro.

- É pá, isso é excelente! É que eu quero cometer um acto terrorista, mas essa coisa de ir para a prisão em seguida não me dá muito jeito.

- E a quem é que dá jeito, meu amigo? Não neste país, de certeza. A comida nas prisões portuguesas é péssima!

- Ok, vou então comprar meia-dúzia de granadas!

- Com certeza. Quer vir cá buscá-las quando?

- Passarei aí já esta tarde. Será que também era possível arranjar as unhas?

- Com certeza!

- Muito obrigado pelo seu apoio!

- Que é isso, meu amigo! Não precisa de agradecer. Nós estamos aqui para ajudar. É por isso que somos o comércio tradicional. Só não se meta nas lojas paramilitares dos hipermercados. Aí não vai encontrar este nível de atendimento.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/06/instituto-de-beleza-juarez/

Mega pic-nic do Modelo - 20Jul2018 13:28:12

Desenganem-se aqueles que acham que este é um daqueles posts agressivos e insultuosos. Não, senhor! Não é aqui que vão encontrar o deboche do costume. Porquê? Porque eu não tenho nada contra o tal mega-picnic organizado pela rede de supermercados Modelo e que possui o Tony Carreira como banda sonora (clique aqui se não sabe do que estou a falar).

Convenhamos, haverá actividade mais saudável do que juntar alguns milhares de famílias portuguesas, num local ao ar livre e com muita luz natural, e deixá-los conviver ao som dum dos ídolos nacionais de música popular?
Lembrem-se que estamos a falar de pessoas que, se não lhes fosse dada esta magnífica oportunidade, estariam fechadas em casa a ver o Preço Certo (muitas delas a gritar para a televisão na hora de dar palpites sobre o preço da montra). Ou, pior que isso, a ver a ficção nacional da TVI!

É verdade que comparecer a um pic-nic familiar de grandes dimensões, com o Tony Carreira em pano de fundo, deve ser o pesadelo de muitos. A mim, por exemplo, só me apanhariam num evento destes se me dessem uma mocada na nuca e me colocassem no porta-bagagens dum carro. Mas eu sou esquisito. O problema é meu. Só oiço e só vejo algumas coisas, tenho uma cultura musical tão restrita que me impede de ouvir Tony Carreira sem ter vontade de me acercar do saco de vómito mais próximo, e não gosto de grandes ajuntamentos inter-geracionais. Para a maior parte das pessoas isto não se trata dum problema.

E é por isso que fiquei incomodado, não com a ideia do picnic  uma vez que não sou o público-alvo  mas com as regras que o Modelo quer impôr aos participantes.

Ora clique na ligação lá de cima (ou aqui nesta. Prometo que vai dar ao mesmo sítio!), entre no site do tal mega picnic e vá onde diz Regras do Pic-nic.

Começa logo mal quando alguém acha que um pic-nic tem de ter regras, como muitos concordarão! Mas o pior está para vir.

Para este pic-nic, os supermercados Modelo parecem ter fornecido alguns autocarros para o transporte dos passageiros. Devem ter achado que, para muita desta gente, não era conveniente levar o carro por causa de problemas com o estacionamento dos veículos. Embora, na minha opinião, se deva mais ao facto de que a maior parte destes convivas provavelmente nunca pôs os pés dentro dum automóvel&

E aqui começa o fungagá pidesco!

Na regra 2, pode ler-se qualquer coisa como Se você se portar mal, expulsamo-lo do nosso autocarro! (não mencionam se o farão com o veículo ainda em andamento ou não). Mas quem é que eles acham que vai comparecer a este pic-nic?! Famílias portuguesas? Ou grupos de reclusos numa saída de campo?

A regra 3 não é menos restritiva para as liberdades familiares. Especialmente para quem considera os animais de estimação como membros da família (tal como devia ser). A história de não se poder levar animais de estimação nem teria assustado os mais matreiros, que logo se puseram a pensar que facilmente levariam o Boby ou o Piloto disfarçado numa geleira de campismo. Foi por isso que o Modelo incluiu na mesma frase a ressalva não tragam bicharocos, nem disfarçados em malas de transporte!. E pronto. Lixaram, assim duma empreitada só, todos os animais de estimação que só beneficiariam dum salutar encontro familiar com música do Tony Carreira.

Estou a ser um pouco injusto, porque na regra 4, o Modelo diz que abrirá uma excepção aos cães-guias dos cegos. Mas eles estão loucos ou têm apenas falta de sensibilidade?! Para um cego, a audição deve ser o sentido mais importante. Porque raio é que eles acham que há cegos que têm interesse em ouvir o Tony Carreira?! Terá sido um erro do gabinete de análise estatística do consumidor. Cá para mim, acho que algumas cabeças deviam rolar (não as cabeças dos cegos, claro! Se perder a cabecinha já é um azar do caraças para a maior parte das pessoas, para um cego deve ser um azar maior ainda&)

Na regra 5 encontra-se bem claro que qualquer jovem com menos de 18 anos tem de se fazer acompanhar dos encarregados de educação. Que é precisamente o que a maior parte dos jovens com menos de 18 anos gostam: andar acompanhados em locais públicos pelos encarregados de educação! O Modelo não percebe que, com estas regras, pode estar a fomentar o ódio numa classe mais jovem, pondo assim em causa o seu desenvolvimento sustentado?

A regra 7 (alínea a) é, para mim, das mais restritivas e gestapo de todas! Não se pode levar acendalhas, líquidos inflamáveis, carvão e bilhas de gás para o recinto?! Ora essa! Que raio de pic-nic é que estará verdadeiramente completo sem a bela da bilha?! Como é que se consegue conceber um pic-nic decente sem uns bons grelhados no carvão? Não percebo. Querem que toda a gente leve sandes? Como é que a malta consegue sobreviver assim durante uma tarde?!

E a regra 7b não foge à regra (tinha de dizer isto! Eu tentei evitar, juro que tentei&)
Nada de levar objectos cortantes?! Meu deus! Como é que se descasca uma maçã sem uma navalha? E como é se corta uma fatia de melancia sem um facalhão afiado?! Será que nunca lhes ocorreu que há um motivo pelo qual certas facas se dizem ser de mato?!

Em suma, façam pic-nics, pois claro! Ponham lá o Tony Carreira a cantar, o Quim Gouveia ou outro pimbalhoco qualquer. Para mim, que não vou comparecer, é igual ao litro.

Só não transformem aquilo que pode ser uma agradável experiência colectiva numa espécie de marcha norte-coreana! É por causa destas coisas que estamos na cauda da Europa. Ou como diria aquele cromo da bola da SIC Notícias, então mas que raio de democracia é esta?



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/06/mega-pic-nic-do-modelo/

Certa manhã, no gabinete de psicanálise? - 20Jul2018 13:28:12

- Bom dia, Sr. Dr.

- Bom dia, Sr. Dr.

- Ainda bem que o encontro, colega! Ontem revirei o meu gabinete todo à procura de um teste de Rorschach, e não o encontrei& Por acaso, não o viu, não?

- Não sei& Qual é?

- Ããhh& Eh pá, é aquele que parece uma borboleta.

- Ah, com que então, a si parece-lhe uma borboleta, hem& Fale-me disso.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/06/certa-manha-no-gabinete-de-psicanalise/

Pantufas, o Empalador - 20Jul2018 13:28:12

As crianças gostam de bonecada. É uma verdade quase universal. As pessoas acreditam nisto. De tal forma, que se criou uma pressão social para que tudo aquilo que tenha remotamente a ver com crianças tenha, obrigatoriamente, de ter bonecada.

Um exemplo: fraldas. Quaisquer fraldas que se comprem no supermercado terão bonecos estampados. Os putos vão brincar com aquilo? Não (lá virá o tempo é que brincarão com o que têm nas cuecas&). Quem acaba por olhar mais para as fraldas são, não as crianças, mas os pais. Daí que me pareça fazer mais sentido que se estampem nas fraldas conteúdos mais adequados a idades adultas& Tipo, gajas nuas. Ou o texto do Tratado de Lisboa.
Mas não. São fraldas para crianças, têm de ter bonecada! (Porquê que as fraldas para os incontinentes não têm as farmácias de serviço?) Pode ser que os miúdos restem atenção as fraldas e gostem de lá ver os ursinhos e o camandro&

Isso é tudo muito bonito, mas e se o país for invadido, daqui a uns anos, por hordas bárbaras? Hunos sanguinários. Monstros sádicos cujo único interesse é o de espalhar o horror e a destruição. Queimar, pilhar e violar. Com mocas e espadas ferrugentas. Como é que vai ser? São os ursinhos fofinhos que vinham estampados nas fraldas que vão ajudar nessa altura, não? Pois claro que não! Nessa altura precisaremos é de malta rodada na arte do combate corpo-a-corpo. Mas pessoal capaz de infligir dor a sério! Nem sequer é o matar: o importante é ser-se capaz de fazer sofrer à grande, para mandar uma mensagem aos inimigos que cobardemente escaparam. Como quem diz ?a morte é uma libertação demasiado doce para vós, oh prole de Satã!?.

Era, seguramente, isto que o fabricante de umas fraldas que comprei há dias tinha em mente quando desenhou o seu produto. Eis a ilustração que vem numa das fraldas:

dsc01983

Neste desenho, o simpático coelhinho não está rodeado de silvestres flores, ou em comunhão com os seus companheiros animais da floresta. Não, aqui o bicho está entretido a empalar um outro coelhinho numa vara à qual nem sequer tirou os galhos e as folhas. Assim, aleija mais.

Já me disseram que, se calhar, eu estou a ver isto mal. Pode ter só a aparência de que o coelho está a furar o outro coelho do ânus à cabeça com um caniço, sem que isso esteja a acontecer de facto. É uma hipótese e, vai na volta até têm razão. O coelho grande não está a varar o pequeno: está só a amarrá-lo ao espeto para o pôr em cima da fogueira. Sim, o canibalismo também é uma coisa bonita&

Fico à espera que me saia a fralda em que o coelho está a beber sangue da cabeça decepada do inimigo.



Fonte: http://www.dizquedisse.com/2009/05/pantufas-o-empalador/