Sentei-me em frente ao computador e começo este post. Quase sempre, antes de me meter ao trabalho de escrever, as palavras correm na minha mente em velocidade de cruzeiro.

Não começo a primeira frase, encalho.., não sei bem onde, sei que tudo parece ou demasiado para se conter na palavra ou a palavra parece desnecessária porque já pensei o que queira (ou sentia....).

Seja como for, sabe-me bem esta angústia desmedida de escrever o que a cabeça pensa (mais fácil..) ou a "alma" sente (bem mais difícil...).

Porque será que quando aqui venho me lembro sempre da Sónia? Será que questiono a minha mortalidade ou porque sempre senti nos seus post uma ligação tremenda à vida, mesmo quando ela lhe fugia fisicamente? Seja como for, sinto falta dela, por aqui. Foi das melhores coisas que conheci desta comunidade, cruel às vezes, mas sempre solidária com os seus membros: é verdade, apesar de tudo, todos sabem estender a mão a quem precisa. Talvez mais do que isso: todos precisam duma mão que se estenda em sua direcção, mesmo que pensem que não.

Não é diferente "lá fora". Mas sinto que cá venho por memória à Sónia. Ou porque, em contra-posição, não a sinto verdadeiramente ausente. Está cá. Sempre estará cá.

Se cada palavra minha for, algum dia, um ramo de flores, será sempre para ti. Uma flor para quem nos faz imensa falta, cá!

Ficarei sempre com este Blogue. Agora eu sei. Até, finalmente, nos encontrarmos e falarmos desta comunidade que te acolheu e se acolheu em ti, mesmo com internet portátel, lá no IPO.

Ficarei sempre por cá. Sei.



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/20/Ficarei-sempre-por-c_E1002E002E002E00_.aspx

és também meu... - 17Mar2007 20:29:00

 



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/17/_E900_s-tamb_E900_m-meu_2E002E002E00_.aspx

Ai Timor... - 12Mar2007 23:54:00

 

O Homem é assim, por toda a parte, seja lá que cultura o “vista”.

Timor…, um novo País com velhos e maus hábitos, já lá instalados, quando tudo falta fazer.

Não chegou o sangue derramando por anos de luta contra a opressão Indonésia. Timor em guerra civil. Sejam lá quais forem os motivos e as razões do actual conflito interno, a verdade é que o País se deixou encalhar nos engodos de interesses claríssimos de quem quer mandar no mundo e, se não manda, pelo menos atrapalha o suficiente para que os verdadeiros interesses dos timorenses andem “pelas ruas da amargura”.

Para quando, Timor, a tua independência?

Os Homens são assim, constroem primeiro as “muralhas da vergonha” para se proteger: armam-se “até aos dentes” e o que parece ser protecção é mera ilusão, é sempre o princípio da guerra.

O Homem montou a teia e deixou-se enredar nela. A sociedade vive sobre elos fracos. Quando as coisas correm mal, a culpa é dele, vista numa perspectiva individualista. A criação é mero artifício para a sua submissão e não para a sua libertação.

E somos ricos ou pobres, bem na vida ou “pés descalços”, somos sempre os opostos do tudo ou nada, indiferentes a qualquer estado da vida humana. Como quando morre alguém por fome num longínquo País, não perdêssemos todos um pouco da nossa Humanidade, desculpados pela distância reconfortante da tragédia.
Como disse um filósofo: "somos todos feitos da mesma massa, estivemos um dia juntos, estendidos na mesma mesa, até à separação. Mas em cada ser fica o todo do Universo criador". E a nossa raiva, também aparente, dirige-se quase sempre para a inconsequência das palavras. O mundo vai mal, o Homem não se sabe senão nesta terrível guerra de se aniquilar a si próprio.

E a sociedade culpa o seu criador, sem destemor, sabendo que é apenas existência vã.



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/12/Ai-Timor_2E002E002E00_.aspx

Quase... - 11Mar2007 15:36:00

Está um excelente Domingo. Sentei-me aqui para escrever alguns poemas para um concurso literário. Tenho até finais de Abril, sem dar por ela vim cá ter, ao Sol, talvez para ver novidades, sei lá. Escrever um post, porque não. Tinha dito a mim próprio que este blogue não seria um diário, mas comecei este post um pouco dessa forma. Talvez porque não tenho grande coisa para dizer. E será preciso ter?

A minha filha é que tem razão: sou quase um poeta! Um dia destes, escrevia eu um poema e ela perguntou-me se precisava de ajuda. Disse que sim, ela leu e deu-me dicas..., interessantes dicas. Agora diz que sou quase poeta porque preciso ainda de ajuda! Que bela definição ela me deu. Gosto de ser quase poeta. Há coisas que ser quase é já uma conquista. Pelo menos, ela não me chama "quase pai". Ainda bem, porque o quase não se aplica a tudo, muito menos se deve aplicar ao que nos é verdadeiramente fundamental. Tudo o resto..., são coisas..., ser pai é ser o que sou, sem qualquer dúvida ou insatisfação. E que nada me deixe perder este sentido, as coisas que me deixam no quase ser.

O que digo agora? Podia copiar por ai um texto ou foto qualquer e fazia post rápidos. Acho que vou regressar ao sol lá fora..., e deixar o poeta no quase poema.  

A vida não.



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/11/Quase_2E002E002E00_.aspx

Até lá - 10Mar2007 21:25:00

Faz tempos que aqui não escrevo. A razão é..., nenhuma, simplesmente. O mundo tem as voltas que tem e nem sempre roda em torno do "mesmo" Sol.

Seja como for, as coisas, por cá, não parecem diferentes. Apenas uma e triste notícia: a morte da Sónia. Essa foi irreparável. Embora não a tenha conhecido profundamente, nem mesmo ao deleve, creio que foi uma grande mulher. Em tudo. Principalmente em vida. Apetece-me que tenha sido..., assim ficará sempre na história, sempre na memória.Nossa.

Fora isso, que não é pouco, parece que a normalidade por aqui corre, como as águas: estão destinadas a uma qualquer foz, que a cada um de nós pertence, que a cada um de nós nos faz imensa falta (lá chegar...). E não vale a pena questionar as motivações de cada um. Há alturas em que o Universo é aonde estamos e o que sentimos e nada mais do que isso.

As estrelas estão lá no céu da nossa imaginação e podemos ser (no seu brilho) o Sol que a obriga a reflectir, por não ser de facto uma.

Não sabemos que a única estrela que existe é a estrela da Sónia. Nós não temos brilho, apenas luzimos coisa parecida.

Tenho tempo. Porque faz tempo que aqui não escrevo e tudo pode esperar, até o egoísmo da vida que nos alimenta tristemente. Todas as coisas inúteis secam muito de nós..., e é pena, porque aperta a "alma" de angustia que doí a respirar, "podia ser mais, quero mais, queria mais..., o sonho..., onde está o tempo de sonhar?".

Sei que desejei outro 2007, foi algures..., quando ainda podias sentir a nossa efemeridade.

Agora, que és eterna, perdoa-nos as nossas patetices, próprias de quem pensa ter todo o tempo do mundo. Talvez por isso se esqueçam os sonhos...

Até lá.

PS: O que aconteceu ao  Kanoryo?



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/10/At_E900_-l_E100_.aspx

uma lágrima ao mar quando as palavras choram - 18Fev2007 23:25:00




Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/02/18/uma-l_E100_grima-ao-mar-quando-as-palavras-choram.aspx




ErótiKo

Livro de visitas


Dossier:Gil Vicente

Guerra no ...

Terrorismo

YouTube





Todas as Koisas

Especial IPVC

Painel controlo
  • Email:
  • Palavra-passe:
  • Lembrar dados
  • Ir administraçào


RTP1
Últimas Galeria
Mais Links
Porque esperas?
Sites Amigos
EuroMilhões



   
   
   
   
   
   

Procura
Na nudez das coisas!
Sondagens
Koisas são?
Ideias?
Opiniões?
Pontos de vista?
Site modelo?
Molho de Grelos?
Anedotas
Um homem tinha o cabelo tão oleoso tão oleoso que quando ia ao cabeleireiro ele perguntava-lhe sempre:
- É para cortar ou para mudar o óleo?
Um sonho

Exposição dos artistas do BlogTok
quando?

 

images_1.jpg

Brevemente

Visita:
Klubs
Sistemas
As palavras

Contra o actual modelo de avaliação dos professores - 03Nov2008 15:29:00

Os professores estão contra o actual modelo de avaliação dos professores. Há, na net, muita coisa a circular sobre o assunto. Deixo, para comentário, uma moção de uma escola.

"Moção

A Sua Excelência A Ministra da Educação

O Conselho Executivo da Escola Secundária Alcaides de Faria, Barcelos, vem, por este meio, solicitar a Sua Excelência que seja suspenso e revogado o actual modelo de Avaliação de Desempenho do Pessoal Docente, regulamentado pelo Decreto Regulamentar n.º 2/2008, de 10 de Janeiro, pelos motivos seguintes:

1. Para o Conselho Executivo, tal modelo torna-se inexequível na medida em que a nossa Escola tem cerca de 220 professores, que terá que avaliar, segundo critérios que não se podem considerar objectivos e observáveis. Esta tarefa é, para o Conselho Executivo, humanamente impossível de concretizar com o mínimo de rigor e seriedade, princípios que devem estar sempre presentes num processo tão delicado como é o da avaliação de professores.

2. Este modelo, muito burocrático e pouco realista, está a promover a degradação do relacionamento interpessoal entre a classe docente, perturbando seriamente o clima escolar, com reflexos negativos (directos e indirectos) no processo de ensino e aprendizagem. A este facto, acresce o descontentamento que impera entre os docentes, que se vêem com uma sobrecarga de tarefas que o actual modelo de avaliação exige, pondo em causa o desenvolvimento normal da sua actividade enquanto professores.

3. O Conselho Executivo teme, seriamente, que seja colocada em causa a essência da actividade da Escola, que se centra essencialmente nas aprendizagens dos alunos, desvirtuando, assim, a razão da nossa existência. Estamos plenamente convencidos que a aplicação do actual modelo de avaliação dos professores irá prejudicar seriamente os alunos e o normal desenvolvimento do ano lectivo, como, aliás, já está a acontecer. Não se pode pedir à Escola o que é, de todo, impraticável.

4. A ser levado até ao fim o actual modelo de avaliação, não pode, este Conselho Executivo, e cremos que nenhum, garantir uma avaliação justa e justificável dos professores. Não é uma avaliação justa, imparcial e verdadeira que se pretende? Acreditamos, sinceramente, que não o conseguiremos com o actual modelo. Não queremos, e daí a nossa posição, entrar por um processo em que a avaliação é feita, a qualquer custo, mas sem o rigor, a moralidade e a seriedade que devem ser os pilares de qualquer processo de avaliação de pessoas, com sentido de responsabilidade e ética.

5. A ser levado até ao fim este modelo de avaliação, o que será da Escola no final do ano? Como estarão as relações entre os professores, uns avaliadores e outros avaliados, num processo em que, em geral, ninguém acredita, de verdade? Este Conselho Executivo não quer imaginar-se a gerir uma Escola em que a conflitualidade se instale irremediavelmente.

6. O Conselho Executivo considera a avaliação dos professores uma exigência, nem está contra ela, bem pelo contrário. Quer é poder avaliar com rigor, com isenção e com competência, o que, no nosso entendimento, só poderá ser feito através de um modelo objectivo, menos complexo e, acima de tudo, que seja exequível. Deve-se, pois, na nossa opinião, construir um novo, urgentemente."

Barcelos, 28 de Outubro de 2008

O Conselho Executivo da Escola Secundária Alcaides de Faria

 



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2008/11/03/Contra-o-actual-modelo-de-avalia_E700E300_o-dos-porfessores.aspx

O Coreto - 18Jan2008 09:17:00

Talvez por mudança de estação, a avenida parecia que reluzia uma falsa esperança. O velhote, cansado do tempo, olhava para o coreto e os seus olhos dançavam ao som do folclore. No mesmo banco, ou paralelo a ele, por qualquer razão embrulhada de tempo, um jovem, igualmente cansado, olhava para o coreto e os seus olhos dançavam ao som da banda rock. Talvez, mas apenas talvez, o cansaço fosse o engano do tempo e a mera existência de um coreto vazio. Há contudo, na avenida, vaidades que se passeiam, cobiçando o espaço para aquilo que chamam “a verdadeira cultura”. Pobres dos coitados que fazem “a falsa cultura”, sussurra o vento que vem pela avenida abaixo, ou pela avenida acima, ao encontro dos egos de uns e de outros, tão indistintos de parecença que fazem a estática correria desses doutos da avenida. Talvez, por mudança de estação, a estação não mude. Ou talvez porque o coreto continua vazio, apesar da cobiça dos filósofos da cultura, falsa ou verdadeira, tanto faz. O que vale é que um homem cansado e o seu jovem ao lado lhe dão uso. Nem que seja só por mero ocupar do tempo, porque haverá mais? Os parceiros fazem protocolos pelo mesmo motivo que não o fazem com outros, num círculo estranhíssimo: em pontos opostos se encontram, esperando-se desencontrados porque simplesmente cobiçam, não a razão que os une, mas a posse que não têm conjugadamente. Trata-se, no fundo, de coisa simples: quero o que tu tens, vou ter o que tu tens, não te dou o que tenho. Talvez, por mudança de estação, ou talvez não, os humores dessa nossa avenida nos tinja com a verdade ou com a mentira de muitos cansaços. È que a coisa é clara: o coreto permanece vazio. E o vento ao bater nos egos diz a mesma coisa: nós é que fazemos tudo ou nada se faz.

Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2008/01/18/O-Coreto.aspx

"e que tudo mais vá para o inferno"! - 02Nov2007 08:37:00

A vontade, às vezes, é de mandar isto tudo para outro lado. Contudo, a consciência e, porque não dize-lo, a obrigação que devo a mim próprio, leva-me a relativizar o possível e a ignorar tudo o resto. É uma artimanha de sobrevivência com “qualidade de vida”, como agora dizem, os politicamente correctos. Ou os meros sobreviventes. Mas, seja lá como for, o que quero dizer é que pouco me importa o que os outros pensam. Quero deixar isto claro, para que não haja equívocos. As minhas convicções nunca foram de ninguém, só e apenas minhas. Com elas posso ser feliz, ou não. Mas serei sempre eu, não que seja egocêntrico, mas se o for, paciência. Não querendo me repetir, pouco me importa. Que raio de “mundo me educou”, como disse…, quem o disse, “não tenho que ser o educador do selvagem que há em mim, só nos outros”. Talvez por isso, esta minha crónica se destine a quem quiser aturar-me. Mas sempre se quiserem. Esta liberdade, é a minha liberdade, pela qual consagro todos os Homens livres. Não querer ser o que não se é, nem mesmo parecer…, é perfeito. É coisa de deuses.

Seja como for, esta crónica não é crónica de destino ou destinada, podia ficar por onde começou. O desafio é sempre o pensamento, sobre esta “pequena coisa” que temos provisoriamente: a vida. Há quem a enfeite de vaidades e de outras coisas, sempre muitas, para que ocupem muito o tempo, quase que cansam o tempo, …, e lá se fala de stress e outras coisas mais…, o tempo assim até parece ocupado. O meu, o meu tempo, é traiçoeiramente livre, há poucas coisas que verdadeiramente me interessam, essas que fazem a vida, a minha é claro. Mas, por qualquer destino comum, Einstein tem relativamente razão. E porquê? Não por qualquer lei física. O tempo é realmente relativo. E como se perde…, assim a vida, só para matar…, o tempo.

Cá por mim, não. Ser livre não tem dois sentidos. Mas o político, esse Einstein malandro, quase nos convence que sim.

Enfim, destinem-se, senhores. E não se queixem da vida. Só de vós mesmos! Como diz a canção, "e que tudo mais vá para o inferno"!



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/11/02/_2200_e-que-tudo-mais-v_E100_-para-o-inferno_22002100_.aspx

"A cor da imprensa..." - 02Nov2007 08:34:00

eduardocarvalho.jpgO que importa a vida privada do político para o jornalista?
A resposta não é única.
Uma das respostas será: nada, não interessa, a não ser para certa imprensa “cor-de-rosa”. Outra imprensa, séria, ou dita séria, poderá argumentar que lhe interessa (a vida privada…) apenas porque pode por em causa o “desempenho” do político na causa pública.

Terá o jornalista, ou o jornal (qualquer que seja o meio pelo qual se transmita a “informação”) de provar, ou demonstrar, tal facto? A resposta, neste caso, é, claramente, sim!

Porque se assim não for, será “imprensa cor-de-rosa”, pura e simples. Valerá o que vale, mesmo que não queira.

O mais grave é a imprensa dita "séria" fazer o que lhe apetece, apenas na defesa de “interesses pessoais" de alguém, com poder mediático circunstancial, e disso fazer a sua “única linha editorial", em seu nome, porque é fácil fazer de conta que é a causa pública que se defende, não o sendo.

A verdade é que, quer uma quer outra (a cor de rosa e a dita séria…), caiem no mesmo equívoco.

A coberto de certa liberdade de imprensa, a “lei” iguala-se: à tal”cor-de-rosa” ou à outra (dita) “séria”, a motivação é mesmo a coscuvilhice, a primeira página, por um lado; por outro lado, o desgaste político, ao serviço do “contrário a mim”, ou ainda (o que é bem pior…) à defesa pessoal de ataques pessoais, quase como direito de resposta sem fim.

Seja como for, nunca será a notícia, em qualquer caso. É assim que se faz certo jornalismo, a coberto de serem “jornalistas”.
Sem ser, infelizmente, informação.

E serão as duas, porque se confundem, sempre as mais "lidas".
Apenas por natureza humana.
Só!



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/11/02/_2200_A-cor-da-imprensa_2E002E002E002200_.aspx

Meias verdades... - 02Nov2007 08:29:00

Às vezes, quantas vezes, o que acontece na terra, na nossa, é uma realidade fantasiada conforme os olhos de cada um. Não é só na nossa terra. Está na natureza humana. A guerrilha, a divisão segundo interesses e motivações particulares, em conformidade com a protecção da coisa individual, raramente da “aldeia”, do colectivo. Quantas vaidades...

Sou, serei sempre, um romântico, um revolucionário das causas comuns, que parece estar fora de moda. O homem está sempre acima de tudo. E, pasme-se, até o humanismo é, neste caso, filosofia revolucionária. Ao que se chegou. E o contrário é, quase sempre, o contrário de coisa alguma, isto é, a afirmação do que se quer contradizer. Mora na mesma realidade, indistintamente. O verbo é “ter poder”, ou "ser poder". Sei que não existe na língua de todos nós, mas politicamente existe, na visão diária da realidade que se mede por outros motivos. Acredito, se é mera questão de crença, que haja bondade. Contudo, tenho que dar, se quiser, validade a todas as crenças. É outra “fome”, mesmo que inconsciente, para não dizer “conveniente”. Não há duas medidas. Se calhar, nem uma. Há o que cada um quiser, ou nada.

Não duvido que há necessidade de guerrear certo estado de coisas. Nunca fui, pessoalmente, uma pessoa de consensos nem de falsos moralismos. Há consensos que não se merecem e essa história da moral tem que se lhe diga. Seja como for, sou pelas rupturas. Faz-se mais claridade na ruptura do que no consenso. Talvez porque apenas digo o que penso e penso o que digo, sem segundas ou terceiras intenções (apenas a primeira é válida!), dou pouco valor a certo estado de coisas, sejam politicamente correctas ou alegadamente (como é hábito dizer-se, hoje em dia…) incorrectas. Mas esta crónica, como todas, não tem um destinado nem um destino. Destina-se a todos e a ninguém. Mesmo assim, porque não sei ser nem imparcial nem independente, destino as minhas palavras a alguém. É que ser engraçado é mais fácil do que ter graça. E quantas vezes a sátira é a baboseira de quem pensa ser engraçado. E não é, porque existem sempre outros interesses, sejam lá quais forem, que dominam a idiotice. Interesses diferentes da graça são politicamente outro interesse. E ele existe a coberto de alguma impunidade. Porque é que não dizem o que querem a sério, sem sátira? Por favor, assumam, sem artimanhas o que vos move. Isso é coragem. Tudo o resto é cobardia. Não pensem a verdade como coisa absoluta. Tal não existe, quer com ou sem isenção, quer com ou sem independência. Sabem por que razão? São a mesmas coisa. Etimologicamente, falando. Mas não só. Na prática, também. Assim, dessa forma, dão razão, aparentemente, a quem não a tem. Há algo mais grave do que isto? Naturalmente que há. Há sempre, é assim a vida em círculo, mesmo para quem pensa não se vender aos interesses particulares de outros.

A questão é sempre outra: há sempre outros interesses particulares. E a história ainda não provou que, nessas circunstâncias, se fosse outra coisa que o poder instituído, mesmo que se intitule de novo contra poder, façam outro jogo que não seja "o do poder" ou da sua cobiça. O que quero é sempre outra coisa. O rio limpo, as obras essenciais feitas, o direito ao contraditório da oposição plenamente assumido. Exemplos, só exemplos. Tudo o resto, são meras fantasias. Quem quer o poder? Eu não! Alguma ponta de verdade não é a verdade. Nem a mentira. Não é..., simplesmente..., nada!



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/11/02/Meias-verdades_2E002E002E00_.aspx

"Nós..., todos nós" - 20Jul2007 09:42:00

Não sei o que nos fará feliz. "Nós", todos nós.
A humanidade anda triste e sem rumo. Só se fala de economia, a economia do homem, seremos supérfluos?. A fome. As desigualdades. Não é preciso bomba atómica..., o caminho é já de destruição da dignidade humana. E, quando é assim, o que restará?
O Homem anda..., por andar apenas, metido em si, com vaidosos e inválidos para os outros. "Nós", todos nós.
Arre, arrepiam os rostos da nossa miséria. Quase sempre rostos de infâncias perdidas. Morremos também, com eles. Na indiferença, ou quase, mas vale o mesmo.
As palavras já são ocas. Secaram por dentro. Já não se chora.
Que destino?

Os nossos caixotes de lixo estão cheios da nossa ganância. Arre, apetece pegar na economia e mete-la lá.
Os rostos..., da nossa perdição. Da nossa desumanidade. Sem lágrima. Há risos que me irritam e discursos que desprezo. Sei lá. Sei lá.

Os olhos pedem a nossa Humanidade. Faces secas..., as nossas. Arre, valerá a pena?
Os rostos massacram. Rostos de infâncias perdidas.
E lançamos a bomba, porque não sabemos mais. Morremos sem saber o sabor da vida que escapa lentamente nos lábios secos, ávidos dos nossos. Um beijo contém toda a Humanidade perdida.
 



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/07/20/_2200_N_F300_s_2E002E002E002C00_-todos-n_F300_s_2200_.aspx

Ao cuidado de uma ave que passe e esqueça que está a voar - 08Abr2007 00:18:00

Dá uma vontade de escrever, que nem te digo.

Apetece dizer o silêncio que levo comigo, para lá para  cima, onde o olhar se perde pelo horizonte e ficamos mais sós. Não é possível a solidão. Inexistente, pura e simplesmente. A vastidão não deixa que se pare em qualquer outro sentimento que não seja de partilha.

O que penso? O que pensas?

Esta coisa de sermos dois é plural a mais. Esgoto-me em ti, mas não sei se te esgotas em mim. Quero pensar que sim. Sinto muitas vezes que sim. Será? Por onde me trazem os sentidos? A margem é estreita entre a lucidez e a loucura de amar-te perdidamente. O vento penteia algumas notas da canção, da nossa, da minha.

Haverá pluralidade neste silêncio que é apenas silêncio? Estás comigo, a meu lado, em mim.

Contudo, porque será que a paisagem me arrepende por novos horizontes? Haverá réstia de marinheiro ainda? O mar sempre foi o meu finito desejo de te ter, lado a lado, à aventura de me perder no teu enorme sorriso de água.

O que penso..., sei lá nem importa.

O que pensas..., doí-me! 



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/04/08/Ao-cuidado-de-uma-ave-que-passe-e-esque_E700_a-que-est_E100_-a-voar.aspx

Viva alguém - 24Mar2007 13:42:00

Não sei porque perco tempo com posts como o anterior.

De facto, quase ninguém liga, até eu próprio, são coisas próprias de um fórum da TSF ou para um programa "Prós e Contras", da Fátima Campos Ferreira (um programa que não gosto, não é isento e mais do que isso: toca nos assuntos ao de leve, culpa de quem o orienta e dos convidados, quase sempre alinhados no politicamente correcto, sempre com uma visão redutora dos assuntos que aborda: a culpa é do público, do sector público, o mostro sagrado e consagrado de todos os males).

Mas adiante. Porque o que parece importar é mesmo a superficialidade. Já viram a banalidade das opiniões que por esses fóruns todos se dizem? 

Mas o que me importa nem é isso. O que me importa é o facto de parecerem sérias essas opiniões, que contêm o gene do nosso povo: Salazar. Salazar não é  só uma pessoa. Salazar é o nosso medo e ao mesmo tempo o eterno salvador da nossa perdição, mesmo que ele tenha sido um dos principais responsáveis pelo nosso atraso cultural e económico. De facto, pensamos que estamos sempre melhor se estivermos "eternamente sós". A lei e a ordem não se discute. 

E eis um grande português..., afinal a liberdade e a prisão das nossas opiniões pouco importam. Mesmo em liberdade estamos acorrentados e tristemente felizes ou infelizes. Também tanto faz.
Com estes  grandes  portugueses,  estamos  feitos!  Ou não. Parece que não.

A culpa é de tal D. Sebastião que nos perdeu  no Império e nos fadou a este destino de o cumprir algures, gene da nossa memória colectiva.

E mesmo a pobre liberdade é desnecessária para sermos "nós".

 



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/24/Viva-algu_E900_m.aspx

"ALLGARVE" - 23Mar2007 18:43:00

 

1. “Allgarve”, eis como, brilhantemente, o Governo português, através do ministro da Economia, Manuel Pinho, decidiu rebaptizar o Algarve, numa campanha de marketing para revitalizar o turismo na região.

Este governo não é de modas: os “choques tecnológicos” devem ter aberto as mentes dos nossos governantes, de tal modo que o que parecem ser verdadeiros disparates são, de facto, grandes ideias, de grande alcance. Por que razão devemos ficar atados aos nomes das coisas, se se podem mudar, para bem da “nação”?

É preciso reformar tudo e todos. Mais uma reforma de fundo: assim, o Algarve, será mais atractivo e mais fácil de se pronunciar, na língua de sua Majestade.

Enfim, welcome to Allgarve das asneiras.

2. Mas não fica por aqui a imaginação dos nossos políticos. Numa outra visão, mas não miragem, resultante desta longa e penosa travessia do deserto do défice (e cada vez mais afundados na areia…), eis a forma de poupar no orçamento das escolas: vão passar a alugar as instalações para baptizados, casamentos e coisas afins. Já se estão a organizar campanhas publicitárias: “prefira a nossa escola, grande espaço de lazer e bom serviço, somos das melhores nos rankings da restauração; bom preço e bom serviço”.

As papelarias e reprografias vão, igualmente, estar ao serviço do público em geral. Mais receitas para as escolas, menos dinheiro do Estado gastam. Mais uma reforma estruturante, como trabalha Sócrates e companhia.

3. Paulo Portas é mesmo “o Paulinho das Feiras”, com cartão de crédito na mão, porque não lhe puseram uns euros no porta-moedas, para pagar “uns tremoços”, regateados a bom preço. Depois de uns meses de pose de Estado, quando foi ministro da Defesa, quer voltar à liderança do CDS-PP, mas à sua maneira. Vale tudo, incluindo uma estranha teoria da relatividade aplicada à educação e às boas maneiras: com o seu sorriso de “malandro”, de uma forma matreira, causa a confusão, “parte a louça toda”, esquece regulamentos, e, com ar cândido, faz a carinha de menino bem comportado e muito responsável, a quem lhe roubaram o chupa no recreio. Quase que se vira para a sua protectora e diz: “eram grandes, levaram-me o chupa, quero outro!”. Quem resiste a tamanha matreirice de um “menino mimado”?

4. Iraque: já lá vão quatro anos de guerra. O País está destruído, dividido e num verdadeiro caos. Os americanos e os seus aliados europeus criaram outro monstro (antes, foi Saddam) desta vez ingovernável. A solução não está à vista, mas passará sempre pela retirada dos americanos. Um País em guerra civil, sem estruturas básicas a funcionar. Bush prometeu a democracia e a paz. Bush queria a guerra, o resto são tudo tretas. Há um grande vencedor: a industria do armamento. Os iraquianos perdem o presente e o futuro próximo. Principalmente as crianças. Os europeus perdem a sua dignidade e os seus valores.

Iraque: quatro anos de vergonha, até quando? 

 

 



Fonte: http://comunidade.sol.pt/blogs/eduardocarvalho/archive/2007/03/23/Ainda-estou-a-fazer-o-post_2E002E002E002C00_-volto-logo-que-poss_ED00_vel_2100_.aspx

Ficarei sempre por cá... - 20Mar2007 18:08:00